Temas Variados » Como funcionam as piscinas naturais

Como funcionam as piscinas naturais



banner-ecohospedagem-menor

 

diferentes-piscinas-naturais

 

Você sabe o que são e como funcionam as piscinas naturais? Apesar de muito famosas na Europa elas ainda são pouco conhecidas no Brasil. Mas quais são seus benefícios? Como construí-la?

 

As piscinas naturais já são muito usadas em países da Europa, África e Oceania e estão tornando-se muito conhecidas também nos Estados Unidos, porém, aqui no Brasil, pouca gente sabe como essas piscinas funcionam e muito poucas casas e empreendimentos já aproveitam seus benefícios.

 

Buscaremos mostrar um pouco das particularidades e benefícios dessas piscinas e assim ajudar na disseminação de seu uso no Brasil, já que essas piscinas possuem grande vantagem ecológica perante as piscinas convencionais.

 

exemplo-de-piscina-naturalQuem utiliza piscinas percebe os malefícios do cloro, produto utilizado para manter a piscina adequada para uso. São efeitos colaterais que danificam os cabelos, causam ardência nos olhos e outros efeitos de longo prazo. Por isso, as pessoas buscam, cada vez mais, encontrar alternativas ao uso do cloro na limpeza de piscinas, como filtros UV ou salinização.

 

E é neste contexto que as piscinas naturais possuem mais benefícios que todas as outras técnicas, já que não utilizam nenhum tipo de produto químico ou equipamentos que utilizem grandes quantidades de energia elétrica, além de proporcionarem uma ligação muito maior com a natureza.

 

Como funcionam?

 

Os materiais e os projetos de piscinas naturais podem variar muito. Muitas são revestidas com borracha ou polietileno reforçado. Algumas são construídas integradas à natureza, quase como um lago, outras são construídas como piscinas convencionais, mas, em todos os casos, utilizam plantas para fazer o tratamento da água. Os tamanhos também podem variar bastante, aqui quem manda é sua imaginação.

 

Seja qual for o formato ou tamanho, o sistema é o mesmo, onde em parte da piscina, normalmente separada por uma parede natural ou artificial, fica a região de plantas que atuam como filtro biológico. Recomenda-se a utilização de diferentes camadas de pedra na zona de raízes das plantas, que ajudarão na contenção de partículas maiores e retenção de nutrientes que serão assimilados pelas plantas. Recomenda-se também o uso de uma bomba de água de baixo consumo, para forçar a circulação da água entre a piscina e a região de plantas fazendo assim com que a água fique mais límpida e transparente.

 

No Brasil é mais comum o uso de piscinas naturais com água corrente, de origem direta da natureza (nascente ou rio). Neste caso após passar pela piscina a água continua seu caminho natural, voltando para a natureza.

 

 

funcionamento-de-uma-piscina-natural

Funcionamento de uma piscina natural

 



Qualidade da água e legislação

 

Este é um ponto muito importante que ainda gera muitas discussões. Algumas pessoas e, em alguns casos, a própria legislação, dizem que só com o uso de cloro é possível deixar a piscina totalmente própria para uso. Como nos informa nosso colaborador Vagner Trentino, Biólogo que atua em hotéis da região de Socorro, em São Paulo, lá a vigilância sanitária exige PH entre 7,2-7,8 e Cloro livre PPM entre 2-4, isto é, pela lei deve haver coloro na água naquela região.

 

“Não podemos deixar de informar que é importante que se faça uma análise da qualidade da água da piscina natural. Não é porque é natural que é própria para banho. Sendo assim, do meu ponto de vista, a análise a ser feita é a mesma que a vigilância sanitária solicita. Análise Físico-química e Microbiológica.”

Vagner Trentino,  Biólogo e Gestor Ambiental

 

Mas o outro lado dessa discussão diz que estudos mostram que uma piscina natural bem operada tem, na maioria das vezes, uma água com qualidade maior do que uma piscina convencional com tratamento a base de cloro.

 

exemplo-de-piscina-natural-2“A norma que dispõe sobre o tratamento da água em piscinas de uso público e/ou comercial (ABNT NBR 10818/1989), é da mesma data em que foi estabelecida a biotecnologia específica para o tratamento biológico da água para utilidade balnear. Estes sistemas tiveram inícios em 1983 com Werner Gamerith e foram incrementados em 1984  pelo austríaco Peter Petrich, fundador da BIOTOP, e foram declarados de interesse público na Áustria e Alemanha em 1989.
Na Itália, só no mês passado foi criada legislação específica para as piscinas biológicas de uso público.
Em Portugal e Espanha, o Grupo Ibérico de Águas Balneares Naturalizadas (GIABN),  uma associação de profissionais da área de planejamento e construção de piscinas biológicas/naturalizadas ligada à IOB (International Organization of Bath Water, à qual eu pertenço como representante para o Brasil), está agora introduzindo uma proposta com as diretrizes para a legislação nos dois países.
A própria IOB tem regras muito específicas da qualidade da água para uso balnear em piscinas biológicas. Estes parâmetros são idênticos aos de uma água de qualidade potável.”

                                    Luís Filipe Pereira, Ecopools Brasil

 

Porém a norma NBR 10818/1989, que trata da qualidade da água em piscinas, não exige o uso de qualquer tipo de produto químico (veja aqui a norma) e em alguns casos, como no estado de Goiás, já existe legislação que trate o assunto.

 

“GOIÁS. Portaria 456.

Aprova as normas técnicas ao saneamento básico e ao meio ambiente.

Diário oficial do Estado de Goiás, Ministério da Saúde, Goiás, nov. 1997.

Entre outras:

b) – as piscinas que recebem continuamente água considerada de boa qualidade e cuja

renovação total se realiza em tempo inferior a doze horas, poderão ser dispensadas das

exigências ditas acima.”

 

 

Em nossos contatos com alguns especialistas que atuam no setor hoteleiro, ambiental e de piscinas constatamos duas possíveis soluções para a instalação de piscinas naturais em locais onde a legislação atual exige a presença de cloro nas piscinas. A primeira é tentar mostrar empiricamente (busca de dados relevantes e convenientes obtidos através da experiência) que aquela água é adequada para banho e por isso não é necessário o uso de cloro ou, como segunda opção, pode-se construir as piscinas em forma de lago e não nomeá-las como piscina, deixando ao hóspede a escolha de usar, ou não, o lago para nadar.

 


Os benefícios

piscina-natural-jardins-filtrantes

- Não utiliza produtos químicos para sua manutenção

 

- Possui custos de manutenção mais baixos do que piscinas convencionais, e os seus custos de instalação não são muito mais elevados do que modelos tradicionais

 

- Não necessita de um filtro UV de propulsão elétrica. Utiliza plantas aquáticas para filtrar a água
- A bomba elétrica para uma piscina natural utiliza 40% menos energia do que a bomba para uma piscina tradicional
- A piscina de concreto média utiliza aproximadamente 70 toneladas de concreto, um dos materiais de construção mais intensivos em CO2

 

Contras

- As vezes não ficam totalmente transparentes como as piscinas convencionais

 

- As piscinas demoram algum tempo para se estabilizarem. Até que o desenvolvimento radicular das plantas ocorra, a água poderá passar por períodos de turbidez, natural durante os primeiros meses.

 

 

Caso brasileiro. O lago contemplativo do condomínio Eco Tinguá, no Rio de Janeiro.

 

etapas-de-construcao-da-piscina-natural-do-condominio-ecotingua-rio-de-janeiro

Etapas de construção da piscina natural de Tinguá

 

O Eco Tinguá é um condomínio residencial que está sendo construído na região de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e terá toda uma temática voltada para a sustentabilidade. Dentre algumas ações que já são ou serão desenvolvidas no condomínio podemos citar:

 

- Área total de 160.415,00 m², bosque com 31.029,00 m² e 9.933,00 m² de jardins de lazer. Sua área permeável corresponde a mais de 50% da área do empreendimento

- Hidrômetros individuais para melhor controle do consumo

Telhados verdes que ajudam na redução da temperatura

- Uso de tijolo de solo cimento que reduz a emissão de gás carbônico

- Telhados produzidos com material reciclado

- Vasos sanitários com caixa acoplada de duplo acionamento

- Pavimentação com paralelepípedos assentados com areia, facilitando a drenagem das águas da chuva, evitando alagamento, além de calçadas gramadas com caminhos de placas de concreto

- Aquecimento solar de água

- Utilização de torneiras com temporizador

- Reaproveitamento da água de chuva para uso na irrigação e limpeza nas áreas de uso comum

- Bomba solar para movimentação de água nas áreas de uso comum

- Sensores de presença em algumas áreas de uso comum

- Construções com estudo de implantação, ventilação e iluminação, considerando as variáveis ambientais, proporcionando um maior conforto natural (arquitetura natural)

- Sistema de compostagem para fertilização natural da terra

- Tratamento ecológico do esgoto através de biodigestores

- Pontos de coleta seletiva de fácil acesso e uma central para recepção do material, além da instalação de lixeiras especiais para coleta de pilhas, baterias e óleo usado

 

Além de todas as ações acima citadas, o condomínio terá também a primeira Ecopiscina do Rio de Janeiro, que foi projetada pelo Dr. Jerome Davis (bioengenheiro) e o biotecnólogo Luís Pereira, da Ecopools, e que gentilmente nos disponibilizaram algumas fotos de sua construção. (mais fotos podem ser vistas aqui)

 

“A água do Lago de Mergulho Contemplativo que foi feito em Tinguá cumpre com todas as normas de segurança para a saúde humana, e em termos de análises físico-químicas e bacteriológicas, está acima dos padrões de qualidade balnear. Eu próprio bebi um copo no dia da inauguração. Nós estaremos analisando a água mensalmente durante os primeiros 12 meses, conforme é recomendado pela IOB, para criar um histórico. As análises estão sendo efetuadas nos laboratórios da P.U.C. do Rio de Janeiro, e contamos ter uma certificação oficial de qualidade no final das 12 análises.”

Luís Filipe Pereira, Ecopools Brasil

 

 Vídeo que mostra diferentes piscinas naturais pelo mundo.

 

 

Colaboraram com esta publicação.

 

Luís Filipe Pereira, Ecopools Brasil

E-mail: jardi.luispereira@gmail.com
Tel.: 21 9987.4486
Contato Skype: OrganicaXXI

Vagner Trentino, Biólogo e Gestor Ambiental

E-mail: vatrentino@ig.com.br
Tel.: 19 3855.2080 / 19 8122.4126

 

Revisão e edição de texto – Nathalia Pereira, Jornalista – www.nathaliapereira.com

 

Thiago Cagna. Consultor EcoHospedagem.

 

Ir Para Topo Da Página

  • Facebook


24 Respostas para Como funcionam as piscinas naturais

    • Lu Danciguer como vai? Agradecemos os elogios. Não é aconselhável fazer a piscina natural com águas cinzas. Ela pode sim ser usada para fazer um lago, em que os peixes e outros animais ajudariam para deixar a água ainda mais limpa!

      Um abraço,

      Equipe EcoHospedagem

  1. Bruno Aventura diz:

    Amigos, parabéns pela matéria, está ótima, vejam se conseguem me ajudar, estou estudando como fazer uma piscina natural com m aquário natural para podermos mergulhar junto com os peixes… Já tenho uma piscina natural de olho d`’agua no tamanho de 20x15m, o fundo é barrento, pergunto se posso colocar pedras no fundo seguido de areia e seixo fina se ficaria bom para os peixes serem criados… Podem me ajudar????

  2. Ivane Marchioro diz:

    Estou necessitando da indicação de empresa ou profissional capacitado para me fazer um projeto de pisciana natural.
    Moro no RJ, mas a piscina seria para minha fazenda em RIO DA FLORES – municipio de manuel duarte, estado do RJ.
    Gostaria que o LUIS PEREIRA entresse em contato comigo. Eu mandei um e-mail para o Luis Pereira e voltou. Obrigado.

  3. Estamos terminando a obra e temos já uma piscina com água corrente, mas cria muitas algas com o passar do tempo. Gostaria que indicasse um técnico para uma consulta mais apropriada ao nosso ambiente e ao fato de termos herdado uma piscina pronta. Obrigada.

    • tcagna diz:

      Ola Carolina como vai? Sua dúvida foi encaminhada ao nosso colaborador Luís Filipe Pereira, da Ecopools Brasil, e a resposta foi a seguinte:

      “Não há qualquer inconveniente em aproveitar toda a estrutura existente, sendo ela em fibra ou outro tipo de acabamento, fazendo as devidas alterações nas condutas de água e construindo o jardim aquático que se encarrega da regeneração, embelezando ao mesmo tempo o paisagismo.

      Em termo de parâmetros técnicos do funcionamento do sistema, são as características métricas da estrutura existente relativamente à sua posição física que determinam se é possível aproveitar a piscina instalada tal como está ou se necessita alterações complementares na estrutura para a adaptar ao sistema biológico.”

      Esperamos ter esclarecido sua dúvida.

  4. Luís Pereira diz:

    Excelente exposição!
    Remete-nos a uma reflexão sobre a atual utilização de produtos químicos em piscinas, quando existe a possibilidade de manter a água com qualidade balnear de forma natural.
    O planeta agradece! E nossa pele, olhos e cabelos também!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>