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Do Fumo ao Turismo. Uma mudança boa para a saúde a para a natureza!



 

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Para começar a contar como são as propriedades do roteiro de Agroturismo Acolhida na Colônia, não podemos começar por outra coisa se não falando do plantio de fumo, que é a maior fonte de renda da região sul do interior de Santa Catarina, região onde está a maior parte das propriedades da Acolhida

 

 

-> Veja aqui o que é o projeto Acolhida na Colônia <-

 

A plantação de fumo, além de ocupar o espaço que poderia ser ocupado por florestas ou ser usado para plantar alimentos, traz muitos danos à saúde dos trabalhadores.  Muitos agricultores que trabalham com o fumo relatam sentir mal-estar e enjoos constantemente, além de irritação nos olhos e pele. Sem falar nos danos invisíveis como a intoxicação por nicotina e agrotóxicos.

 

 

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Fumo seco

Outra queixa constante dos trabalhadores é a rotina difícil de trabalho, pois depois de iniciada a colheita, que é feita em partes (a cada vez colhem-se cerca de 4 folhas de cada pé), tem-se que colher toda a quantidade de folhas suficiente para encher a estufa, faça chuva ou faça sol.

 

Depois de colhidas, as folhas são costuradas e colocadas em estacas de madeira, que são, então, atravessadas nas vigas de madeira dentro das estufas. Ali as folhas ficam por cerca de 5 dias e 5 noites, para que sejam desidratadas. De 4 toneladas de folhas colhidas, são retiradas das estufas cerca de 400 kg de folhas secas.

 

Durante o processo de desidratação, nos dois primeiros dias a lenha tem que ser reabastecida periodicamente, chegando a ser adicionada de 2 a 3 vezes durante a noite, o que só dificulta o trabalho do agricultor que passou o dia na lavoura.

 

 

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Estufa de secagem e galpão de armazenamento

 

O processo de desidratação é de extrema importância, pois qualquer descuido nesse momento pode significar a perda de toda uma produção. Folhas muito secas ou muito úmidas valem muito menos no mercado.

 

Aliás, junto com os problemas de saúde e o árduo trabalho, uma das maiores reclamações dos produtores é o preço de venda. Depois de secas as folhas são levadas para serem vendidas nas “feiras de fumo”, onde os compradores, normalmente representantes das grandes empresas de cigarro, escolhem na hora o preço que querem pagar pelo produto.

 

plantacao-de-fumo_interior-de-santa-catarinaMuitas vezes, dependendo da oferta e demanda, paga-se até 1/3 do preço justo. O valor pode variar de R$ 2,00 a R$ 6,00 o kg da planta.

 

Para uma das propriedades da Acolhida que visitamos em Santa Catarina, o Sítio do Nono, o ano de 2013 vai ser o último ano do plantio de fumo. A propriedade que antes era totalmente ocupada pelo fumo, hoje possui menos de 20% das terras com a planta.  Por lá, onde moram Pai, esposa e duas filhas. Na época que se plantava apenas fumo, as meninas ainda eram muito pequenas para trabalhar na lavoura.

 

Lá a mudança aconteceu graças ao turismo e às flores. Os proprietários, Arlete e Ivanor viram que não podiam mais viver do fumo, que além de prejudicá-los, iria prejudicar suas filhas, que teriam que ajudar na lavoura ou deixar a propriedade.

 

Com a ajuda de moradores da comunidade local que já haviam largado o fumo e da Acolhida na Colônia, com seus treinamentos, subsídio a investimentos e incentivo ao turismo, Ivanor conseguiu realizar seu sonho de ter um Engenho de Cana movido à tração animal, como era feito antigamente. E hoje, junto com o passeio de charrete, e a plantação de mudas de flores, Ivanor e Arlete estão conseguindo substituir o trabalho pesado e prejudicial a saúde, por um trabalho mais leve e prazeroso, recebendo turistas em seu sítio e plantando flores.

 

 

 

Veja a resposta de uma das filhas do casal, Tácia, sobre a importância de parar com o fumo:

 

 

 

 “Para mim foi bom meus pais pararem de plantar fumo pois, apesar de ser um trabalho de época (trabalho pesado mesmo é em torno de 3 a 4 meses por ano), é uma luta puxada. E percebo na expressão do meu pai que o trabalho com flores e melado é um trabalho em que ele se sente mais realizado e mais saudável, além de não necessitar de agrotóxicos como o fumo.”

Tácia Fernanda Jorge

 

 

 

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Estufa de secagem

 

A maioria das propriedades abaixo, que fazem parte do roteiro Acolhida na Colônia, e foram visitadas por nós também sobreviviam, exclusivamente, do plantio do fumo, mas hoje, graças a um trabalho de conscientização realizado pela Acolhida, estão mudando sua fonte de renda, tendo o turismo e a produção de produtos orgânicos como principal atividade.

 

Essa tendência está se espalhando para vizinhos e para toda a região, que ao observarem que o fumo não é a única opção, também estão mudando seu modo de pensar e agir.

 

Abaixo as propriedades visitadas por nossa equipe.

 

 

Sítio Recanto da Natureza

Pernoite e visita à propriedade que realiza produção para subsistência e para turistas

 

 

Sítio Walmeling e Sítio Vida Nova

Pernoite, visita à propriedade com foco na agroecologia e frutas orgânicas no sistema colhe e page

 

 

Sítio Colina 

Pernoite, visita à propriedade com foco na agroecologia, trilha para cachoeira e passeio a cavalo

 

 

Sítio Vô Bubi e Sítio do Nono

Pernoite, trilha para cachoeira, visita ao engenho colonial, passeio de charrete e produção de flores.

 

 

Recanto Ecológico e Morada Ekoa

Pernoite, produção orgânica, turismo pedagógico, educação ambiental e trilha para praia.

 

 

Thiago Cagna – Consultor EcoHospedagem

 

Contribuíram com esta publicação

Revisão e edição de texto – Nathalia Pereira, Jornalista – www.nathaliapereira.com

Sítio do Nono – [email protected]

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Comentários



Uma Resposta para Do Fumo ao Turismo. Uma mudança boa para a saúde a para a natureza!

  1. Anônimo diz:

    Amei a reportagem. Meu avô foi proprietário de engenho,pena que não conheci.
    mas o meio rural nos encanta com sua simplicidade e beleza natural e ar fresco e tão bom para o coração.
    Ana Maria Marinho de Souza.
    Dias Coelho, morro do Chapéu-ba

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