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Que tipo de turismo você faz? Bom para todos envolvidos ou predatório?



 

 

O turismo pode trazer benefícios ou malefícios ao meio ambiente e a comunidade local. Tudo depende de como ele é planejado e desenvolvido

 

Comunidade LocalGraças aos recursos financeiros trazidos pelo turismo, se bem administrado, ele pode trazer muitos benefícios ao meio ambiente e a comunidade local, através do desenvolvimento econômico, incentivo financeiro para proteção de áreas de floresta, geração de renda, entre outros. Mas se mal planejado e controlado o turismo pode trazer degradação ao meio ambiente e ter influência negativa sobre a cultura e comunidade local.

 

Usaremos quatro casos reais para mostrar a influência do turismo. Para mostrar o lado negativo do turismo falaremos do Guarujá, cidade localizada no litoral sul do estado de São Paulo e da Tailândia, mais especificamente da ilha de Ko Phi Phi, localizada na Ásia. E do outro lado da moeda, como exemplos de turismo bem feito, os casos de Bonito, no Mato Grosso do Sul e de Ruanda, na África.

 

 

Guarujá, a EX- Pérola do Atlântico

 

O Guarujá, cidade localizada no litoral sul do estado de São Paulo é conhecida pela maioria dos paulistanos. Começou sua história em 1502, com o nome de Ilha de Santo Amaro, e foi uma pequena vila balneária até meados de 1950, quando os primeiros movimentos de turismo em massa começaram a surgir na cidade.

Por sua proximidade com a cidade de São Paulo, o Guarujá virou um point dos paulistanos, que feriado atrás de feriado enchiam as praias e ruas da cidade. Hoje após mais de 60 anos de turismo de massa, a região que antes era totalmente coberta por Mata Atlântica, sofreu muito com a especulação imobiliária, que tomou conta da cidade e expulsou os caiçaras (antigos moradores) para longe das praias, e estes viram-se “obrigados” a trabalhar em empregos de baixa qualificação e que pagam pouco.

A falta de investimento na comunidade local e os baixos salários fizeram com que a violência aumentasse ano após ano, ficando clara a “guerra” de classes que ocorre na cidade, principalmente durante a alta temporada. Ainda podemos citar os congestionamentos inacabáveis dentro da cidade e nas estradas que dão acesso a ela, estradas que já foram duplicadas mais de duas vezes e os congestionamentos continuam.

Esse é um exemplo clássico do que se repete em muitos lugares do Brasil, em que o turismo chega, toma o lugar da natureza e da comunidade local e traz muitos poucos benefícios em troca.

 

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Tsunami na Tailândia

 

Outro caso que mostra que o turismo, se mal planejado, pode ser desastroso para o meio ambiente e para a comunidade é o caso das Ilhas Ko Phi Phi. Aqui mais do que a agressão do homem à natureza, aconteceu o contrário. Devido a exuberante beleza e localização das Ilhas na costa Oeste da Tailândia, os complexos turísticos progrediram por locais, que talvez, se bem analisados, não seriam seguros para tal desenvolvimento. Um dos vilarejos, por exemplo, fica entre dois mares opostos e não deve ter mais de 1 km de distancia entre eles, então uma simples mudança de 5 metros no nível das águas dos oceanos pode devastar todo o vilarejo.

 

E foi algo bem parecido que aconteceu. No ano de 2004, um terremoto no oceano provocou uma onda de Tsunamis por toda a Ásia e um dos lugares mais destruídos, foi a Ilha de Ko Phi Phi. Não estamos dizendo que o Tsunami ou o terremoto foram causados pela ação do homem, mas que se o turismo tivesse sido bem planejado, os prejuízos humanos e financeiros poderiam ter sido bem menores. Se os empreendimentos turísticos e o governo estivessem preocupados com a segurança dos moradores e turistas, a ocupação do território teria sido diferente.

 

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Ecoturismo em Bonito

 

A cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul é, talvez, o primeiro destino brasileiro que nos vêem a cabeça quando falamos de ecoturismo. A cidade que possui atrações turísticas como:

 

flutuacao na rppn rio da prata, bonito, mato grosso do sul

Abismo Anhumas

Gruta do Lago Azul

Parque Ecológico Baía Bonita – Aquário

Recanto Ecológico Rio da Prata

Rio Sucuri

Passeio de Bote pelo Rio Formoso

Ilha do Padre

Boca da Onça

Balneário do Sol

Balneário Municipal

Buraco das Araras

 

Mas Bonito é também conhecida pelo rígido controle que existe para que os turistas possam visitar essas áreas, possibilitando que a natureza desses locais seja preservada e que o turismo traga benefícios a todos os envolvidos. Em 1995 o Conselho Municipal de Turismo criou o Voucher único à ser usado por todas os prestadores de serviços turísticos da cidade, o que possibilitou um melhor controle tributário, estatístico e também um medidor da capacidade de suporte de cada atrativo, além da credibilidade entre consumidores, prestadores de serviço e empresas.

Dados mostram que a atividade turística é responsável pela evolução do PIB per capita, observando uma evolução da ordem de 72% do ano de 2000 para o ano 2004.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ano de 1991 era 0,675, já em 2000, o IDH representava 0,767, significando um aumento de 14%, ocupando o 18º lugar em relação aos municípios de Mato Grosso do Sul.

Nesse período, nota-se uma queda expressiva da mortalidade infantil de 47% e uma expectativa de vida 8% maior, o que aumenta o índice de longevidade. Também houve um aumento de 19% no índice de educação, o que se deve há um aumento da taxa de alfabetização e, um aumento da taxa de escolarização, especialmente pelas características dos migrantes.

 

Fonte: Secretaria Municipal de Turismo

 

Bonito é um ótimo, talvez o melhor, exemplo brasileiro de que o turismo bem planejado pode trazer benefício a todos os envolvidos, inclusive o meio ambiente, mas não podemos deixar de criticar a inexistência de incentivo ao desenvolvimento da cultura local. Hoje em Bonito, têm-se muito poucos atrativos relacionados à cultura do povo local.

 

 

Os Gorilas de Ruanda

 

Uma reportagem mostrada no Fantástico mostra claramente como o turismo pode e deve ajudar na proteção do meio ambiente e no desenvolvimento da comunidade local. Depois de serem quase exterminados por humanos, seja para alimentarem-se de sua carne ou venderem seus “pedaços” como acessórios, a população local concluiu que os gorilas “valiam” muito mais vivos do que mortos.

Hoje a própria comunidade os protege e organiza grupos turísticos para ver de perto o habitat desses animais. Tudo controlado para evitar ao máximo a perturbação desses animais.

Hoje os Gorilas sobrevivem graças a proteção da comunidade local que antes os caçava…ou será que a comunidade é que sobrevive graças aos Gorilas? Pergunta que não precisa de uma resposta, mas mostra o poder do turismo bem planejado!

 

Veja a reportagem completa. A parte sobre Ruanda começa por volta do minuto 5,1. – http://tinyurl.com/7mcd77z

 

 

placas com varios países turismo e sustentabilidadeA nós turistas cabe dar preferência por roteiros e empreendimentos que levem em conta questões de sustentabilidade, assim estaremos contribuindo com que a natureza do local continue existindo, e daqui a 20, 30 ou 50 anos nossos filhos e netos possam conhecê-la como nós a conhecemos. Contribuímos também para que a comunidade local tenha melhores condições de vida, mantendo seus costumes e culturas, afinal é isso que nos atrai, as diferenças culturais!

 

Lembre-se, empresas sustentáveis preocupam-se mais com o bem estar das pessoas, o que significa mais qualidade para você turista.

 

Veja aqui quais hotéis brasileiros desenvolvem ações socioambientais e quais os destinos brasileiros que trabalham com alguma forma de turismo sustentável.

 

Veja também quais ações você pode tomar para tornar sua viagem mais sustentável.

 

Aos hoteleiros, independentemente se sua região desenvolve um trabalho eficaz em prol da sustentabilidade, adote ações socioambientais em seu empreendimento, você estará criando um diferencial de longo prazo em relação aos seus concorrentes, além de oferecer um serviço de melhor qualidade aos seus hóspedes!

 

Veja aqui algumas ações simples que podem ser implementadas em seu empreendimento.

 

 

Thiago Cagna. Consultor EcoHospedagem.

 

Contribuíram com esta publicação

Revisão e edição de texto – Nathalia Pereira, Jornalista – www.nathaliapereira.com

 

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