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Um final de semana de Turismo Sustentável no interior de Santa Catarina



 

Para os turistas que estiverem de passagem pelo estado ou para aqueles que moram na região, uma boa pedida para um final de semana diferente do normal é fazer um dos roteiros da Acolhida na Colônia.

 

Em uma série de duas matérias contaremos como foi nosso sábado e domingo em Santa Rosa de Lima, localizada a cerca de 2 horas de Florianópolis e considerada a capital brasileira da  Agroecologia. A cidade é também o berço do projeto Acolhida na Colônia no Brasil, além de ser uma das primeiras comunidades no Brasil a se unir para a produção conjunta de produtos orgânicos.

 

A Acolhida na Colônia é um projeto que nasceu em 1999 e busca mostrar uma parte do Brasil e da cultura brasileira que poucas pessoas conhecem.

 

A Associação é composta por mais de 180 famílias de agricultores e estes, unidos em nome da Associação, participam de diferentes formas. Algumas famílias ficam encarregadas de receber os turistas em suas propriedades e os hospedam em suas casas.

 

Outras recebem os turistas para passeios durante o dia, seja para conhecer suas plantações, seu modo de trabalho ou até as belezas de suas terras, onde encontramos cachoeiras e outras coisas.

 

-> Veja mais sobre a Acolhida na Colônia <-

-> Veja as outras propriedades da Acolhida que já visitamos <-

 

Pousada Doce Encanto

 

Pousada Doce Encanto

Eram cerca de 11:00 horas da manhã quando chegávamos a primeira propriedade que iríamos visitar aquele dia, a Pousada Doce Encanto. O nome diz pousada, mas o local é na verdade a propriedade onde vivem Valnério, Leda e seus dois filhos.

 

A família que foi uma das fundadoras do programa Acolhida na Colônia aqui no Brasil já recebe hóspedes em sua casa há mais de 10 anos e hoje, além de continuar com a plantação orgânica de quase tudo o que consome, e criar galinhas, vacas, carneiros, patos e codornas, a família possui uma ótima estrutura para hospedar o turista.

 

Onde tempos atrás funcionava a estufa de fumo, cultivo que era o único gerador de renda para a família, hoje funcionam os 07 quartos disponíveis para hóspedes.

 

 

-> Veja mais sobre como é e os males causados pelas plantações de fumo <-

 

Logo na chegada fomos recepcionados pelo incansável e divertidíssimo filho mais novo do casal, Luiz Roberto, de 09 anos de idade, e enquanto Leda finaliza o almoço é o menino que nos leva para conhecer a propriedade da família e, em especial, seu ranchinho de codornas, recém chegadas à propriedade e de responsabilidade do menino.

 

 

Também conhecemos o galinheiro, que fica junto a um dos açudes da família, e que possui galinhas, patos e perus, e é de onde saem os ovos orgânicos usados na cozinha da família.

 

Atrás do galinheiro fica a grande horta da família, onde é plantado quase tudo o que se consome por lá, dentro os quais podemos citar arroz, feijão, batata, cebola, alho, vegetais e legumes diversos, tudo orgânico e fresquinho!

 

Almoço servido, nos juntamos a Leda e Valnério para apreciar uma típica comida caseira do campo, com arroz, feijão, frango, salada e Gemüse, um prato típico alemão feito com batata e couve.

 

Passeios a cavalo Ekosol

 

Passeio a cavalo, mel de melíponas e ordenha

Conversa vai, conversa vem, já era hora de partimos para a propriedade Ekosol, para fazermos um passeio a cavalo. Por lá o jovem casal Robson e Solange, que hoje tem seu sustento vindo principalmente do trabalho de tratamento de cavalos e da cancha de laço que possuem na propriedade, levam os turistas para fazer passeios a cavalo na região. Além disso, organizam grandes cavalgadas pela região, contando, às vezes, com mais de 100 cavalos em um único passeio.

 

Pelo calor escaldante que estava no dia reduzimos um pouco nosso passeio e cerca de 1 hora depois já estávamos de volta à propriedade para tomar um refrescante suco de maracujá preparado por Solange e para conversar com o casal. Seguimos viagem para nossa próxima parada, e local de nosso jantar, o Chalé Assing.

 

 

A propriedade é vizinha da Ekosol e da pousada Doce Encanto, e pertence a Romeu e Edite, um simpático casal que mora com seus pais seu Roberto e dona Hilda, dois senhores muito simpáticos, e seus dois filhos Leandro e Leonize.

 

Quando chegamos a bela propriedade a família toda estava empenhada em rotular os potes de melado orgânico que haviam produzido e precisavam entregar na Agreco no começo da semana.

 

 

 

Mel de canudinho

 

Voltando ao chalé Assing, na propriedade, além do melado orgânico, é produzido também leite, que além de consumido pela família é vendido para um laticínio da região, peixe utilizado pra consumo próprio e também para a venda (são cerca de seis toneladas por ano), verduras, legumes, frutas, ovos e mel.

 

O mel, aliás, é um caso a parte, pois como na maior parte das propriedades da região, por lá as caixas de abelha ficam espalhados por todo lado, isso porque as abelhas que constroem suas colmeias nestas caixas são abelhas da região, Melíponas (abelhas sem ferrão)!

 

O mel produzido por elas é menos doce e mais liquido que o mel que conhecemos, sendo uma ótima opção ao mel tradicional.

 

 

Mas o mais interessante é que o mel pode ser provado diretamente das colmeias, com o uso de um simples canudinho! Mel mais puro do que esse impossível!

 

A propriedade possui também um chalé com dois quartos disponíveis, permitindo um final de semana de sossego e comida saudável para quem quiser.

 

Chalé Assing

 

Ordenha das vacas

 

Depois de conhecer a propriedade fomos ajudar a tirar o leite que seria usado em nosso jantar. Depois da filha do casal, Leonize, tocar as vacas para o curral, os animais aguardavam ansiosamente a abertura do portão para que pudessem se dirigir as suas baias para comerem a ração enquanto eram ordenhadas.

 

Portão aberto e cada animal se dirige ao seu espaço. Sim elas vão sozinhas sempre para o mesmo local. E então começa o trabalho que é repetido duas vezes ao dia, logo cedo pela manhã e no começo da noite, por Romeu e seus filhos.

 

 

Cada animal produz cerca de 6 litros de leite por dia, chegando ao total de 150 litros de leite produzidos por semana na propriedade. E lá todo turista é bem vindo a participar!

 

O que chama a atenção é que a família já conhece o temperamento de cada animal, e por isso antes de começar a ordenhá-los, patas e rabo de alguns animais já são imobilizados, evitando possíveis acidentes.

 

 

Mas o mais divertido é dar leite para os bezerros. Os animais, que tem que ser desmamados ainda pequenos são os primeiros a tomar o leite retirado das vacas. Mas para evitar que os apressadinhos bebam o leite do irmão, enquanto se dá o balde para um dos animais é necessário dar o dedo para os outros, que ficam chupando o dedo como se fossem a teta da vaca. É algo muito diferente e divertidíssimo!

 

-> Veja a segunda parte da matéria sobre Santa Rosa de Lima <-

 

 

 

A Agreco

A Agreco nasceu em 1996, depois do desafio feito por um supermercadista da região para os produtores locais de produzir hortifrutigranjeiros de forma ecológica.

 

Com uma primeira produção em andamento, em dezembro de 1996, o grupo formalizou-se, criando a Agreco – Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral.

Naquela oportunidade, 12 famílias de agricultores, das localidades de Rio do Meio e Santa Bárbara, se reuniram em Assembleia Geral para discutir e aprovar proposta de Estatuto e para constituir a primeira diretoria da Associação.

 

O grupo fundador da Associação se organizou em torno da atividade de olericultura sem o uso de agrotóxicos e de fertilizantes sintéticos, ocupando uma área cultivada de aproximadamente seis hectares em diferentes propriedades. Desta área, dois hectares eram manejados no sistema de cultivo protegido. A produção semanal era transportada para Florianópolis.

 

Em 1998, a Agreco já contava com cerca de 200 associados, envolvendo mais de 50 famílias de agricultores, todas instaladas em pequenas propriedades. A partir daí as famílias viram a necessidade de agregar valor aos produtos, fazendo assim com que a maior parte dos recursos com a produção ficasse na comunidade, e por isso passaram a investir nas agroindústrias rurais de pequeno porte.

 

Hoje, as agroindústrias rurais de pequeno porte já permitem uma maior valorização dos produtos e a ampliação das possibilidades de mercado para a região.

 

Veja mais sobre a Agreco em http://www.agreco.com.br

 

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Veja mais sobre como começou a Acolhida na Colônia e  Agreco

 

Thiago Cagna. Consultor EcoHospedagem.

 

Contribuíram com esta publicação

Revisão e edição de texto – Nathalia Pereira, Jornalista

 

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