O que posso fazer? » Um passeio diferente em Florianópolis. Trilha ecológica, comunidade local e construções históricas

Um passeio diferente em Florianópolis. Trilha ecológica, comunidade local e construções históricas



 

Em janeiro de 2013, durante nossas visitas a empreendimentos sustentáveis da região Sul do Brasil, aproveitamos para conhecer diferentes formas de turismo em Florianópolis. Fizemos a trilha para Naufragados e conhecemos como vive a comunidade local da praia, fomos conhecer os bairros históricos de Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa, conhecemos o projeto socioambiental do Instituto Ilhas do Brasil e degustamos uma comida caseira à base de frutos do mar no Pântano do Sul.

 

 

Durante nossa estada em Florianópolis contamos com a ajuda do pessoal da agência de turismo Tekoá, que oferece roteiros de ecoturismo, turismo cultural e turismo comunitário em todo o Brasil, mas tem como especialidade os roteiros na Ilha de Florianópolis.

 

Outras publicações sobre Florianópolis

-> Projeto Tamar, um passeio para crianças e adultos <-

-> Boi de Mamão. Folclore de Florianópolis <-

-> Trilha Costa da Lagoa. Ecoturismo e turismo cultural <-

-> Trilha da Galheta. A melhor vista da Ilha <-

-> Trilha Lagoinha do Leste. A mais famosa da Ilha <-

 

 

Praia de Naufragados

 

Trilha para Naufragados

 

Além de ter nos indicado algumas trilhas e opções de turismo cultural na Ilha, Fernanda Carasilo, a proprietária da agência, nos acompanhou na famosa trilha de Naufragados. Trilha que nos leva a última praia de Florianópolis.

 

Nos encontramos no começo da manhã e saímos em direção a Caiera do Sul, onde se inicia a trilha. Caiera do Sul fica no ponto mais extremo do Sul da ilha, no qual se pode chegar de carro, são cerca de 42 km do centro, mas nada que a bela paisagem do Sul da Ilha de Florianópolis não faça você esquecer da distância. No final da estrada, onde começa a trilha encontramos algumas pequenas vendas e estacionamentos para os turistas deixarem os carros.

 

 

Dali são 45 minutos, cerca de 2,5 km, de caminhada leve, por dentro de mata fechada com algumas subidas e descidas, para se chegar até a praia de Naufragados. A praia é deserta, fica no meio do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e é o local de moradia de algumas poucas famílias. Quando o mar permite, há a opção de realizar a travessia para Naufragados por barco, com o custo de R$ 20,00 por pessoa ida e volta. (Janeiro de 2013)

 

E são essas poucas famílias que dão o charme especial à praia, pois mantêm um ar de comunidade local na região. Apesar de hoje a maior parte dos moradores viver do turismo, seja trabalhando em um dos dois restaurantes da praia (ambos de moradores locais) ou como barqueiros (moradores que fazem o transporte de turistas de Naufragados para Caiera do Sul e outros passeios na região), eles ainda mantém muitas de suas tradições, seja pela vida simples que levam, mantendo as histórias e lendas da região ou ainda nos costumes alimentares, que é em sua grande parte à base de peixes e frutos do mar, pescados ali mesmo.

 

 

Logo na chegada à comunidade avistamos a pequena, antiga e bem cuidada igreja, e algumas casas de moradores. Na praia não existem hotéis ou pousadas e a única opção para quem quiser dormir por lá é acampar na própria praia ou ainda no quintal da casa de algum morador.

 

Chegando à praia, que mesmo nos dias mais movimentados fica relativamente vazia, encontramos os dois restaurantes, além do local de chegada e saída dos barcos para Caiera e para os passeios na região. Passeios que incluem a visita à Fortaleza ou a visualização de baleias. Porém, os passeios, bem como o transporte de Caiera, ocorrem apenas se o mar estiver calmo e quem controla essa travessia é um dos mais antigos moradores da comunidade, seu Amâncio.

 

 

A história do nome Naufragados

 

Seu Amâncio e Fernanda

Um bate papo com seu Amâncio é algo obrigatório para quem quiser saber um pouco mais da história da região. Um senhor, que apesar de morar sozinho, em uma casa no alto do morro e sem eletricidade, mostra inteligência e conhecimento ímpares! E é em uma conversa com seu Amâncio que ficamos sabendo das histórias dos naufrágios ocorridos na região, e que dão nome a praia, bem como a melhor época para ver baleias ou pescar tainhas, outro grande atrativo da praia.

 

Logo em frente à praia existe um grande banco de areia, que foi responsável por dois naufrágios na região. Em um deles, em 1752, uma embarcação que levava 270 casais de Açorianos de Florianópolis para fundar Porto Alegre (Porto Alegre que no começo chamou-se Porto dos Casais), bateu no banco de areia e levou a vida de 250 casais. Os corpos destes casais ficaram na praia, e por isso a praia ganhou o nome de Naufragados.

 

Durante nosso passeio Fernanda ainda nos apresentou mais dois moradores da região, seu Andrino, dono de um dos restaurantes da praia, e Valdir, que mora com seus dois cachorrinhos em uma pequena casa da comunidade.

 

Reuso de garrafas deixadas por turistas na casa do Valdir

 

Na praia ainda existe a opção de ir até o Farol de Naufragados e seus canhões de guerra, uma trilha bem curta, com cerca de 500 metros, que tem seu inicio no costão direito da praia.

 

 

Ribeirão da Ilha. Construções Açorianas no Brasil!

 

Uma recomendação é que na volta de Naufragados, o turista separe um tempinho para conhecer o Ribeirão da Ilha, uma região pequena, formada por cerca de 4 quarteirões, que conta com algumas opções de restaurantes que servem frutos do mar, especialmente ostras, que são criadas no próprio Ribeirão, algumas lojas de artesanato, uma igreja e um pequeno cemitério muito florido (com flores de plástico, é verdade, mais muito colorido), além das casas coloridas e com construções típicas dos Açores.

 

 

Outra sugestão de roteiro muito similar ao Ribeirão da Ilha é Santo Antônio de Lisboa, que conta com alguns quarteirões de casas com construções tipicamente açorianas, além de lojas e restaurantes.

 

 

Pântano do Sul e uma comida divina!

 

Apesar das boas opções de restaurantes na região do Ribeirão da Ilha, a Fernanda preferiu nos levar em um restaurante localizado no Pântano do Sul, praia bem movimentada nos finais de semana e que é o ponto de início da trilha para a Lagoinha do Leste, que será assunto para uma próxima postagem.

 

Espaço Arquipélago, Instituto Ilhas do Brasil

 

Já eram cerca de 2 horas da tarde quando chegamos ao Bar do Vadinho. O bar/restaurante existe há mais de 20 anos e funciona no antigo armazém da família, construído mais de 100 anos atrás! Vadinho, que foi pescador por mais de 30 anos, hoje cuida pessoalmente do restaurante.

 

Casa estilo Açoriana

Por lá são servidos pratos caseiros à base de frutos do mar, o restaurante é bem limpo e bem movimentado também. E todo o movimento deve-se à deliciosa comida. A sugestão é pedir a opção do “buffet”, em que são servidos diferentes tipos de peixes e acompanhamentos. Por R$ 30,00 reais por pessoa come-se uma comida muito saborosa e à vontade!

 

Outra sugestão de visita na região do Pântano do Sul é o Espaço Arquipélago, que faz parte do Instituto Ilhas do Brasil, e que busca, através do envolvimento comunitário em ações socioambientais, uma melhor qualidade de vida e o empoderamento das comunidades costeiras locais.

 

No Espaço você poderá conhecer mais um pouco dos projetos do instituto, além de conferir alguns produtos artesanais e camisetas dos projetos.

 

 

 

 

Thiago Cagna. Consultor EcoHospedagem.

 

Contribuíram com esta publicação

Fernanda Carasilo – Agência de turismo Tekoá – www.tekoabrasil.com

Revisão e edição de texto – Nathalia Pereira, Jornalista – www.nathaliapereira.com

 

Ir Para Topo Da Página

Deixe seu comentário também!

Comentários



Uma Resposta para Um passeio diferente em Florianópolis. Trilha ecológica, comunidade local e construções históricas

  1. Maria Clarete Bordignon diz:

    Dá para fazer a trilha para a lagoinha do Leste no dia 27.10.13?
    Qual o preço?
    Qual o ponto de encontro?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.