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Pesca com botos e pesca do camarão em Laguna, SC



 

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Durante o ano de 2015 o Portal EcoHospedagem realizou o projeto “Na Rota da Sustentabilidade“, projeto em que visitamos as sete regiões mais turísticas do estado de Santa Catarina em busca de opções de turismo sustentável. Confira agora um dos passeios realizado por nós durante o projeto.

 

Pesca com botos e pesca do camarão em Laguna, Santa Catarina

 

 

Durante nossa visita a região de Laguna em busca de opções de turismo sustentável fomos conhecer duas atividades de contato com a natureza e com a comunidade local. As duas relacionadas à pesca, uma das principais fontes de renda da região.

 Já era final de tarde, cerca de 16 hs, quando fomos conhecer a famosa pesca com botos que acontece no canal que liga a Lagoa de Santo Antônio com o Mar. E bota famosa nisso! Durante o sábado que estávamos na cidade dois grupos de televisões estrangeiras (uma alemã e outra coreana) estavam na região para acompanhar a atividade.

Descobrimos inclusive que não somos tão doidos como pensávamos. Estávamos nós chegando no centro de informações turísticas na entrada da cidade para deixar o guia que nos acompanhou durante nossa visita ao centro de Laguna, quando chegaram quatro coreanos, de táxi, vindos de Foz do Iguaçu.

Os quatro não falavam nada de Português, tampouco o pessoal que estava no centro de informações falava Inglês. Por um breve período eu e a Nathalia só observamos eles tentando explicar com gestos que queriam ir ver a pesca com botos. Eles tinham acabado de chegar, cheios de bagagem, filmando tudo, não tinham hotel nem nada, e só queriam saber de ir ver os botos.

Mas para a sorte deles nos viramos bem no inglês e conseguimos colocá-los no carro de um outro guia que acabava de chegar e explicar o que eles queriam. Tendo inclusive arrumado o hotel para eles ficarem aquela noite. Tudo por causa da famosa pesca com botos!

 

A pesca com botos

 
Do centro até o canal são cerca de 25 minutos, no caminho passamos pela praia mais movimentada de Laguna, a praia do Mar Grosso, uma grande área urbana com muitos prédios baixos e, no momento de nossa visita, com muitos surfistas. Atravessa-se toda a praia para chegar ao Molhes da Barra, um braço de terra que entra no mar e que tem de um lado a bela vista da praia do Mar Grosso, com suas dezenas de turistas e do outro lado o encontro do complexo de lagoas de Imaruí, de Santo Antônio e Mirim com o mar.

 

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E é neste encontro que acontece algo muito curioso e que nunca tínhamos sequer ouvido falar, a pesca com botos. O canal é frequentado por muitos peixes, em especial a tainha, quando está na época, que sobem e descem a lagoa. E aproveitando-se desta fartura encontramos os botos, que se divertem caçando os peixes e ajudam os pescadores.

Ver vários golfinhos (boto e golfinho, na biologia são a mesma coisa, não existindo aquela diferente entre água salgado e doce) por si só já é uma atração turística, mas para tornar o cenário ainda mais improvável lá estão também os pescadores artesanais. Homens que ficam com água na altura da cintura esperando os botos trazerem os peixes, para então lançarem suas redes.

 

 

A versão florida diz que os botos fazem isto para ajudar os pescadores, respondendo, inclusive, aos chamados dos mesmos e cada boto tem um nome.

 

“Segundo os pescadores, cerca de 60 golfinhos frequentam a barra da Lagoa de Santo Antônio, o turista pode apreciar o fenômeno na Praia do Molhes, ao lado do Mar Grosso. Doze deles são os chamados “botos bons”, que costumam “trabalhar” para os pescadores. “Eles são sempre filhos de outros botos bons, que aprenderam com seus pais a nos ajudar na pesca”, diz Paulo Simões, 33 anos, pescador desde os cinco anos de idade. “Nós sabemos o nome de cada um pelas marcas que eles têm nas galhas.” Entre esses golfinhos batizados há unanimidades.

Também são os que trabalham mais dias por semana. Em domingos ou feriados, quando os pescadores não aparecem, esses golfinhos ficam impacientes, fazem malabarismos e emitem gritos.”

Fonte: www.laguna.sc.gov.br/pesca.php

 

Mas fico com a versão da história que parece mais plausível, que é de que como os peixes andam em grandes cardumes fica difícil para os botos conseguirem caçá-los desta forma. Os botos então agrupam as presas através de movimentos circulares. Depois, empurram os peixes contra os pescadores e, por fim, os botos executam um movimento acima da superfície, que serve de sinal para os pescadores.

Este comportamento é o gatilho para o lançamento das tarrafas, que são lançadas simultaneamente, cobrindo o espaço entre os botos e os pescadores. Os peixes se assustam e nadam em várias direções, desmanchando assim o cardume e facilitando a vida dos botos, que pegam os peixes que não caem na rede dos pescadores.

 

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Mas independente de qual história é verdadeira, o que interessa é que a parceria funciona e a cena é muito interessante, vale a visita.

 

Pesca do camarão

 
As lagoas da região são também palco para outra atividade muito tradicional, a pesca artesanal do camarão, que há muitos anos é o sustento de muitas famílias. Fomos então ver como ela funciona.

Como estávamos hospedados na região do Farol de Santa Marta, um pouco mais afastado do centro de Laguna, fomos conferir a pesca na Lagoa Jaguaruna. Era um domingo à noite e paramos o carro próximo a uma peixaria à beira da lagoa, dali era possível chegar até a lagoa e ver aquelas centenas de luzinhas em meio à escuridão. Parece uma cidade em cima da lagoa.

Mas o mais interessante é saber o porquê destas luzes, saber como é a pesca do camarão. E enquanto eu tirava algumas fotos a Nathalia se encarregou de conseguir estas informações com um pescador que estava por ali.

O que ele contou é que cada ponto de luz tem seis armadilhas, formadas de redes com argolas. A luz atrai os camarões, que vindo de qualquer lado que for, acabam entrando nas redes. As luzes são acesas pelos pescadores no fim da tarde, antes de escurecer, quando também armam as redes, e de manhã os pescadores voltam para recolher os camarões.

 

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Hoje em dia a luz usada é de led com bateria, que são bem resistentes e duram bastante. Mas antigamente era usado o liquinho, um tipo de lampião que usava gás de cozinha, e era bem trabalhoso e pouco resistente. Frequentemente o vidro do liquinho quebrava e tinha que ser substituído, o que acabava tornando o uso desse material muito caro. O pescador conta que se não tivessem passado a usar a luz do led, é muito provável que essa técnica de pesca teria acabado, pois o valor final do camarão seria muito alto.

A pesca artesanal do camarão não é um passeio turístico em si (não ainda, pois se algum pescador fizesse este passeio durante a noite eu seria um dos que faria fácil), mas para quem estiver na região, próximo a uma das lagoas da região, vale a pena a visita. Apenas lembre-se que o defeso do camarão acontece de 15 de julho a 15 de novembro, ou seja, nessa época a pesca é proibida por lei.

 

 

Por Thiago Cagna

 

 

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