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Pintura, artesanato e consertada – Turismo e cultura em Bombinhas, SC



 

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Durante o ano de 2015 o Portal EcoHospedagem realizou o projeto “Na Rota da Sustentabilidade“, projeto em que visitamos as sete regiões mais turísticas do estado de Santa Catarina em busca de opções de turismo sustentável. Confira agora um dos passeios realizado por nós durante o projeto.

 

 

O que uma pintora, uma bebida feita com café antigo e um engenho têm em comum? Eles contam um pouquinho da história de Bombinhas.

 

Durante a noite de sábado saímos para conhecer um pouco mais do centro de Bombinhas, que é formado, na verdade, pela avenida principal da cidade, que fica paralela a praia. É lá que encontra-se a maior parte do comércio e restaurantes da cidade, e foi ali, que logo em nossa chegada a cidade, um ateliê de pintura nos chamou bastante a atenção por causa da beleza dos quadros expostos na calçada.

 

Miriam Vaccarelli Ateliê

 
E foi neste ateliê, que funciona o ano todo, nossa primeira parada no sábado a noite, o Miriam Vaccarelli Ateliê, da simpaticíssima argentina, quase bombinense (pessoa natural de Bombinhas) Miriam. Logo na chegada fomos recebidos com um belo sorriso e depois de contarmos sobre nosso projeto para a artista parecia que já nos conhecíamos há tempos.

Miriam nos contou que veio a primeira vez para Bombinhas há 30 anos e se apaixonou pela cidade, e depois de 15 anos, quando conheceu o marido brasileiro Rogério, mudou-se de vez para a cidade. Miriam nos conta que largou um bom emprego em Buenos Aires e veio para a cidade pela qual era apaixonada.

E é Bombinhas a maior inspiração da artista para pintar seus quadros, maior não, única inspiração, como ela mesma diz. Todos os quadros tem relação com a cidade e por esta inspiração e pela beleza de seus quadros que Miriam é hoje uma das artistas mais conhecidas da cidade.

Durante nosso bate papo no ateliê, para demonstrar como é feito seu trabalho, a artista pintou um quadro em apenas 8 minutos, um lindo quadro, utilizando a técnica de pintura com espátula e tinta, em que a pintura fica com partes sobressalentes, deixando a obra ainda mais bonita. Ela combina cores vibrantes e metálicas, sendo o “ouro iridescente” o elemento fundamental que aparece em todas sua pinturas.

 

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E para que quiser levar uma de suas obras para casa, tem de todos os tamanho e valores, desde quadrinhos em pequenos cavaletes que retratam ícones da cultura local, como casinhas e barcos de pescadores e a bebida consertada, até quadros duplos.

Um bate papo com a artista é, em nossa opinião, uma parada obrigatória para quem quiser conhecer um pouquinho mais da cultura da região, e foi nessa conversa que descobrimos algo que nos surpreendeu ainda mais, a corsertada, uma bebida típica de Bombinhas.

 

Endereço: Av. Vereador Manoel dos Santos 789 – Centro – Bombinhas

Contato:  47 3393-7024 – www.facebook.com/artistamiriamvaccarelli

 

 

A Consertada

 

Mas antes de falarmos da consertada, temos que citar que a cidade é o menor município do estado de Santa Catarina, com apenas 34,5 km², teve colonização Açoriana (portugueses vindos do arquipélago dos Açores), e conta hoje com cerca de 12.000 habitantes, sendo cerca de 6.000 bombinenses.

A conversa sobre a consertada surgiu por causa de um dos quadros de Miriam, que retrata esta bebida e logo questionamos onde experimentá-la e comprá-la. A artesã nos disse que não sabia onde vendiam, nem se vendiam, mas que conseguiríamos experimentá-la em um café ali perto e lá fomos atrás da, até então desconhecida por nós, bebida local.

No Café Via Roma, que também é sorveteria, chegamos no balcão e perguntamos da bebida, pois gostaríamos muito de experimentar e saber como é feita. Logo os dois proprietários, que são descendentes dos primeiros portugueses que chegaram na cidade, se entusiasmaram com os dois turistas querendo saber mais sobre a bebida típica da cidade e a conversa, mais uma vez, aconteceu de forma muito agradável, entre um atendimento e outro.

 

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Ana Luiza e Silvio, donos da cafeteria logo nos serviram uma dose da bebida e começaram a nos contar sua história. A consertada leva este nome pois é feita com café frio, aquele que esfria e normalmente é jogado fora, então as esposas, pegavam o café que sobrou no final do dia, juntavam cachaça e condimentos e pronto!

O café para os maridos que saiam bem cedo, muitas vezes ainda de madrugada, para pescar, estava pronto.  A cachaça funcionava para esquentar o corpo e acordar (motivo pelo qual os antigos moradores tomavam o café antes de sair) e os condimentos serviam para mascarar o sabor da bebida e é o que davam o toque especial de cada morador.

Hoje esta tradição ainda continua nas famílias mais antigas da cidade, só que muito mais por costume do que por necessidade.

Silvio nos conta que é oficial, por lei, que a consertada é bebida típica cultural do município de Bombinhas. Fizeram até uma matéria jornalística em que visitaram os moradores que faziam as consertadas mais famosas da cidade para se eleger a melhor.

Conversa vai, conversa vem, duas doses de consertada, feitas por pessoas diferentes, e uma dose de maracujazinho, um licor caseiro de maracujá que o casal também tinha guardadinho no café, descobrimos o que nos levaria para nossa próxima parada na cidade, um outro ponto turístico cultural de Bombinhas, o Engenho do Sertão.

Segundo o casal, ali a consertada era envasada em pequenas garrafinhas e vendida aos turistas, e então fomos atrás para conhecer mais sobre o Engenho.

A cafeteria é uma ótima opção para quem quiser comer alguma coisa, tomar um café ou um sorvete e bater um bom papo sobre as estórias da cidade.

 

Endereço: Av. Vereador Manoel dos Santos 1010 Sala 04 (Rua Parati) – Centro – Bombinhas

Contato:  47 9989-9410 – www.facebook.com/cafeviaromabombinhas

 

Artesanato e história

 

Como já era mais de meia noite, tivemos que deixar nossa visita para o dia seguinte. E no domingo, depois de visitarmos a Ilha de Porto Belo e algumas pousadas em Bombinhas, no final da tarde, chegamos a uma lojinha no Canto Grande, que fica bem no final do “rabo da baleia” de Bombinhas (veja o mapa da cidade e você vai entender porque “rabo da baleia”). Mas por que fomos parar em uma loja se íamos para um Engenho? Pois era ali que estava a Rosane, ou Rô como é mais conhecida, que é quem coordena o Engenho do Sertão.

Na verdade, antes de nossa conversa no Café Via Roma, já tinham nos falado, algumas vezes, que uma visita ao Engenho do Sertão era quase obrigatória para quem busca opções diferentes de turismo na região, que saiam da combinação, praia e noite.

Como a mantenedora estava com a loja no Canto Grande, as visitas ao engenho precisavam ser agendadas previamente para que ela pudesse se organizar para receber o turista. Mas achamos que seria legal uma conversa com ela, mesmo que só na loja.

 

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Em uma pequena loja, que compartilha as peças de artesanato local de diversos artistas da região com um brechó de roupas, encontramos a Rô, e para variar o papo rolou por bastante tempo. Ela nos contou como o Engenho do Sertão começou e quais são os planos para o futuro.

O Engenho do Sertão é, podemos dizer, um complexo histórico e cultural, onde existe um Museu Comunitário, que tem até uma casa montada como era antigamente uma casa de engenho, um espaço de Artesanato Tradicional, onde as pessoas podem aprender, fazer e vender artesanato local, é Ponto de Cultura e Escola da Terra, voltados à Educação, além de oferecer visitas guiadas, hospedagem e um café, no qual se pode experimentar culinária típica da região. Mas visitar o Engenho é preciso fazer um agendamento prévio por telefone.

 

“Em 1997, com a aquisição de um antigo engenho de farinha, iniciamos um processo rumo à preservação do patrimônio material e imaterial na pequena Bombinhas, município do litoral centro-norte no estado de Santa Catarina.

Com o compromisso de manter a memória cultural da comunidade – arquitetura, gastronomia, literatura popular, danças, musicas, crenças, artesanato – criou-se em 1998, o Instituto Boimamão, uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, para salvaguardar usos e costumes de uma vila de pescadores recém-emancipada. Em 1999, iniciou-se outro desafio: mapear os demais engenhos de farinha dessa região.

Parte deste trabalho resultou no projeto aprovado pelo MinC/IPHAN ( Lei Rouanet) para criação de um Museu Histórico na comunidade de Bombinhas. O Engenho do Sertão, além de atrativo turístico-cultural, tornou-se sobretudo referência histórica da região.Em 2007 foi inserido no cadastro nacional como Museu Comunitário; em 2008 recebeu o selo Cultura Viva; em 2009 tornou-se Ponto de Cultura Escola Terra Engenho do Sertão, em 2013 Ponto de Memória pelo IBRAM/MinC.” (fonte: site do Engenho do Sertão)

 

Após março, com o fim da alta temporada, a loja será fechada e todo o trabalho da Rô ficará no espaço do Engenho. A ideia dela é que num futuro próximo, a hospedagem disponível no Engenho seja ampliada para que possa receber mais turistas interessados em ter uma experiência de imersão na cultura local. Então caso esteja indo vistar a cidade de Bombinhas após o mês de março de 2015, entre em contato com a Rô e verifique a possibilidade de visitar o local. Se depender das indicações dos moradores locais, você não vai se arrepender.

 

Funcionamento

 

Temporada 2014/2015

Visitas Guiadas (Museu Comunitário Engenho do Sertão – Das 16h às 20h (com agendamento prévio)

Café do Engenho – Das 18h às 20h (sob reserva)

Loja artesanato MUSEU – Das 10h às 18h

Loja artesanato Engenho do Sertão (Rua Jequitibá 101- Praia do Canto Grande) – Das 18h às 00h

Endereço: Rua Abacate 452 – Sertãozinho –  Bombinhas – SC

Contato:  47 3393 3099 / 47 3393 3508 / 47 9923 0835 – www.engenhodosertao.com.br

 

Por Thiago Cagna

 

 

 

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