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Um dia de passeio Histórico, Cultural e Ecológico em Floripa



 

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Durante o ano de 2015 o Portal EcoHospedagem realizou o projeto “Na Rota da Sustentabilidade“, projeto em que visitamos as sete regiões mais turísticas do estado de Santa Catarina em busca de opções de turismo sustentável. Confira agora um dos passeios realizado por nós durante o projeto.

 

 

Ecoturismo e Turismo Cultural em Florianópolis

 

 

Durante nosso primeiro final de semana em busca de opções de turismo sustentável em Florianópolis optamos por fazer passeios mais tranquilos mas que nos ensinam um pouco da história da Ilha. É turismo cultural e sustentável.

E no nosso primeiro sábado de passeios tivemos a companhia e assessoria do pessoal da Tekoá, uma agência de turismo sustentável em Florianópolis que realiza passeios de ecoturismo, turismo cultural e comunitário em toda a Santa Catarina.

Na verdade minha amizade com a proprietária Fernanda vem de longa data, e sempre que estamos na cidade é a ela que recorro para sugestões ou organização de passeios. Desde nosso primeiro encontro sempre nos demos muito bem pois a Fernanda, assim como eu, é uma entusiasta e luta pelo turismo sustentável, e é através de pequenas ações como a criação da Agência Tekoá que o turismo sustentável vem crescendo cada vez mais.

Em outras ocasiões em que passei por Florianópolis já realizamos algumas trilhas da cidade, e desta vez optamos por um passeio por lugares que eu ainda não conhecia. Nossa escolha foi uma adaptação ao “City tour – Forte de São José da Ponta Grossa – Santo Antônio de Lisboa”.

 

 

Fortaleza, comunidade local e história

 

Já que na parte da manhã do sábado fomos conhecer o Projeto TAMAR, que fica na Barra da Lagoa, no leste da Ilha, nos encontramos com a Fernanda ao meio dia, na frente da Fortaleza de São José da Ponta Grossa, localizada bem no norte da ilha, ao lado de Jurerê Internacional.

A Fernanda estava com o Cid, condutor ambiental credenciado, que nos apresentou estes locais e contou um pouco mais da história de Florianópolis.

 

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Nosso passeio começou com uma caminhada ao lado do Forte, passando por uma pequena comunidade que mantém muitos dos traços da época da colonização açoriana na região, como os estilos das construções, o espaçamento entre as casas e o acesso apenas por “trilhas”, impossibilitando assim o acesso com carro.

A caminhada é bem curta, mas a intenção maior, além de conhecer a comunidade em si, é chegar ao ponto em que conseguimos avistar toda a extensão de Jurerê Internacional e ali, sentados sob a sombra de uma árvore, Cid começa a nos contar a história de Florianópolis, desde a época dos índios até a chegada dos primeiros colonizadores portugueses.

Partimos então para a visita a Fortaleza de São José. Na entrada tem-se que fazer o pagamento de uma taxa de visitação de R$ 8,00, justíssima, pois é ela que ajuda manter a conservação do local.

 

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A fortaleza, que foi construída entre 1740-1744, foi restaurada em 1992, e está muito bem conservada, uma das melhores que já conheci no Brasil. Na fortaleza continuamos nossa vivência na história de Floripa, e Cid nos conta como e porque elas foram construídas, bem como nos traz a curiosa informação de que, como a maioria dos fortes do país, ele nunca foi utilizado para a guerra propriamente dita.

Ainda dentro da Fortaleza existe uma exposição sobre uma tradição antiga da região, a Renda de Bilro, que contaremos um pouco mais adiante. Mas ali, na Fortaleza, além da exposição, existe a venda de renda, além da presença de uma rendeira, que nos possibilita um bate papo e ver como esta arte é realizada.

Terminada a primeira etapa de nosso passeio já eram mais de 14h30 e a fome já estava pegando, e como em Floripa os restaurantes não costumam funcionar até mais tarde, preferimos não nos arriscar e comemos num restaurante logo na saída da Fortaleza. E foi uma ótima ideia! Comida caseira e deliciosa, além do valor justo de R$ 18,00 por pessoa.

 

Sambaqui e artesanato local

 

Energias recuperadas, partimos em direção ao bairro de Sambaqui, ao lado de Santo Antônio de Lisboa. Nossa ida ao bairro foi para conhecer um dos poucos lugares da ilha em que encontramos algum resquício dos Sambaquis, que são grandes amontoados de conchas formadas ao longo de milhares de anos pelas populações que habitavam regiões litorâneas. 

No Brasil, existem sambaquis em vários pontos do litoral brasileiro, sendo que em Santa Catarina estão os maiores sambaquis do mundo. Existem sambaquis em todo o litoral, que chegam a ter 25 metros de altura e centenas de metros de extensão. Tem idade aproximada de 5.000 anos.

Além disso, fomos conhecer também um espaço da associação de bairro, em que estão disponíveis artesanatos e Renda de Bilro para a venda.

A rua principal do bairro, que é a rua que acompanha a praia, é muito bem cuidada, e é já no final dela, na Ponta do Sambaqui, que encontramos uma praça grande e revitalizada, além da casa da associação de bairro, e o Parque Aníbal da Rocha Nunes Pires, que foi nossa primeira parada.

O parque, uma recente conquista da comunidade, foi inaugurado em Dezembro de 2014, e tomou o lugar do que era antes usado como estacionamento e local para churrascos, sem nenhum cuidado com a natureza, utilizando, inclusive um buraco dentro do tronco de uma árvore viva como churrasqueira.

É no parque em que encontramos alguns vestígios do antigo Sambaqui que existia no local, e dá nome ao bairro, além de uma pequena praia e uma grande pedra com uma vista privilegiada para a Ponte Hercílio Luz.

Dali é só atravessar a rua que já estamos na Associação do Bairro de Sambaqui, um casarão antigo, onde foi o Posto da Alfândega, que foi restaurado e hoje abriga um espaço para a venda de artesanato local e outro para a confecção e venda da Renda de Bilro.

 

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A Renda de Bilro é um trabalho formado pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de linhas, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros.

O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da executante, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas e em papel quadriculado, cuja origem está na criatividade da autora, que por vezes recorre à estilização de objetos naturais como as flores e animais. Os alfinetes fixam o trabalho ao pique e são colocados em furos estrategicamente efetuado no desenho base.

O bilro é um artefato de madeira em forma de pera alongada onde é enrolada a linha que vai sendo descarregada à medida que o trabalho avança. Todo o trabalho é executado com o auxílio de uma almofada cilíndrica, onde é fixado o pique, que, por sua vez, está pousada sobre um banco de madeira cuja forma permite a fácil alteração da posição da almofada, que roda sobre si, enquanto permita uma posição cômoda a quem executa.

 Fonte: www.riozinho.net/a-origem-da-renda-de-bilro/

 

Depois de ver os belos artesanatos locais disponíveis para a venda, muito bem feitos por sinal, chegamos ao espaço dedicado à renda. Lá três senhorinhas faziam suas rendas e ficamos apenas observando. Seguindo a dica que nosso condutor Cid havia nos dado, comentamos com as senhoras que tínhamos ficado sabendo que elas não trabalhavam naquele silêncio que estava naquele momento e que ouvimos falar que elas cantavam muito bem.

Depois de tentarmos um pouco, uma delas, sem sobreaviso, começou a cantar, e logo em seguida as outras três (agora já eram quatro) começaram a acompanhá-la. A cantoria é inspirada na tradição de Terno de Reis Açoriana, em que grupos formados por cantores e instrumentistas percorrem as casas do início da noite ao amanhecer durante o mês de dezembro até o dia 6 de janeiro.

A tradição do Terno de Reis foi trazida para o Brasil pelos colonizadores luso-açorianos e é mantida principalmente no litoral do Brasil e no meio rural.

O divertido é que a musica é uma improvisação, em que a cada vez uma delas “puxa” e faz sua improvisação, e dependendo do que sai, todas caem na gargalhada. Mas o que mais impressiona é que enquanto elas conversam conosco, ou cantam, elas não param um minuto sequer de fazer a renda. Um trabalho impressionante e que eu, com minha super habilidade manual, nunca conseguiria fazer!

 

Santo Antônio de Lisboa e Pôr do Sol

 

Já nos aproximando do final do dia, e já pesando no belo pôr do sol que poderíamos ter, nos dirigimos então para o bairro de Santo Antônio de Lisboa, umas das três primeiras freguesias (vilas) de Florianópolis. Foi ali que no começo da colonização açoriana no litoral catarinense os primeiros colonos se assentaram e começaram uma vila.

Na breve caminhada passamos pela bela Igreja Nossa Senhora das Necessidades, também chamada de Igrejinha de Santo Antônio de Lisboa, (ainda mais bonita com o alaranjado do pôr do sol), as casinhas de estilo açoriano restauradas e que hoje são restaurantes ou vendem artesanato local, e ainda a primeira rua calçada do Estado de Santa Catarina, construída em homenagem à visita de Dom Pedro II à freguesia de Santo Antônio de Lisboa em 21 de outubro de 1845. Santo Antônio é um passeio obrigatório para quem visita Floripa!

 

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Saindo dali, ainda atrás de nosso pôr do sol perfeito nos dirigimos para um bairro residencial da cidade, mas que esconde um belo parque, uma pequena praia e um belo, mas muito belo pôr do sol, a Ponta do Goulart, no Jardim Baia Norte. O acesso, feito por um bairro de casas, fica na altura do número 44 da Rua Paisagista Burle Marx.

 

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Um local muito tranquilo e bonito, com um pôr de sol belíssimo. Com vista para o Parque do Manguezal do Itacorubi, para a Ponta do Coral, e com a Ponte Hercílio Luz bem ao centro. Um encerramento com chave de ouro para nosso passeio pela história de Florianópolis.

Esse foi nosso primeiro dia em busca de opções de turismo sustentável em Florianópolis, um dia acompanhado por dois amigos, a Fernanda da Agência Tekoá e o Cid, o condutor ambiental que nos ensinou muito sobre a história da cidade. Unimos a natureza, a comunidade local e a história, nos proporcionando um dia bem diferente do que de costume para um turista na Ilha da Magia.

 

Contatos

 

Agência Tekoá

Contato: 48 9638-8382 / 48 3207-0149 – tekoabrasil.com

 

Fortaleza São José da Ponta Grossa

Funcionamento: janeiro e fevereiro das 9h00 às 12h00 e das 13h00 às 18h00 / março à dezembro das 9h00 às 12h00 e das 13h00 às 17h00

Contato: 48 3721-8302 –  www.fortalezas.ufsc.br/fortaleza-ponta-grossa

 

Associação Do Bairro De Sambaqui

Endereço: Rod. Gilson da Costa Xavier 2990 – Sambaqui – Florianopolis -SC

Funcionamento: Entrar em contato antecipadamente

Contato: [email protected]

 

Por Thiago Cagna

 

 

 

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